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Desenho de Observação

O livro “Desenho de Observação” (2017), escrito por Gina Dinucci e André Vilela, apresenta o desenho como um projeto do pensamento, uma ferramenta de percepção do mundo e uma forma de materializar experiências visuais e intelectuais. A obra destaca a expansão do mercado de ilustração no Brasil e utiliza a trajetória ficcional da designer Natália para demonstrar como o hábito prático e a sensibilidade do olhar evitam que o desenho se torne mecânico.

O conteúdo estrutural está dividido em quatro eixos principais:

  1. Fundamentos e Sensibilização do Olhar
  • O Desenho na História e no Cotidiano: Do registro das pinturas rupestres à criação de objetos industriais (como carros e roupas), o desenho é inerente à existência humana. Ele conecta a mente ao gesto físico (cosa mentale, segundo Da Vinci).
  • A Desconstrução do Realismo: O desenho de observação não precisa focar na cópia literal ou realista do modelo; ele expressa a experiência singular do corpo, a subjetividade e o repertório de quem o desenha.
  • Uso de Sketchbooks (Cadernos de Esboço): Funcionam como diários gráficos que registram o processo criativo em plena liberdade. Na arte contemporânea, são frequentemente apreciados como a própria obra final.
  1. Elementos Gráficos da Forma e Espaço
  • A Linha como Instrumento Dinâmico: É o elemento elementar para guiar ideias e expressar ritmos, direções e sentimentos (traços contínuos, hachuras, linhas delicadas ou nervosas).
  • Relação Figura e Fundo: Baseada nos estudos da Gestalt, a legibilidade de uma imagem depende do equilíbrio entre a forma (espaço positivo) e o contexto ao seu redor (espaço negativo). Focar a observação no espaço negativo ajuda a desvencilhar o desenhista dos detalhes automáticos do objeto.
  • A Expressividade da Cor: Entendida como fenômeno físico e carregada de peso simbólico, a aplicação cromática no design e nas artes envolve escolhas emocionais e composições subjetivas.
  1. Técnicas, Ferramentas e Materiais Secos
  • Grafite: Disponível em graduações de dureza que vão de 9H (mais duro, traços finos e claros) a 9B (mais macio, traços grossos, pretos e propícios para texturas e variações tonais).
  • Carvão e Sanguínea: Materiais altamente expressivos que reagem à variação de pressão da mão. A sanguínea possui um tom castanho-avermelhado (terracota). Ambos necessitam de spray fixador devido à baixa aderência ao papel.
  • Giz Pastel (Seco e Oleoso): O pastel seco assemelha-se ao giz de lousa (foco em manchas e esfumados), enquanto o oleoso confere traços marcantes com consistência pastosa próxima à tinta a óleo.
  • Bico de Pena: Instrumento clássico para desenhos técnicos, hachuras e caligrafia que utiliza tinta nanquim a partir do mergulho da ponta metálica.
  1. Suportes e Aplicações Profissionais
  • O livro enfatiza que a escolha do papel varia com a técnica: gramaturas pesadas acolhem pressões fortes ou técnicas aguadas (nanquim e aquarela); papéis finos atendem melhor a lápis e bicos de pena.
  • Interdisciplinaridade: O papel do esboço é demonstrado em diferentes carreiras — na arquitetura, os croquis desprendem o profissional de ideias preconcebidas; no design de moda, os croquis atuam como o mapa conceitual que dita o caimento e a atmosfera da vestimenta.

1. Exercícios Práticos de Traçado de Ritmos (Sintonia Corpo-Mente)

O exercício de traçar ritmos busca quebrar a rigidez do traço e conectar o gesto à sensibilidade auditiva, eliminando a cobrança de desenhar algo figurativo (formas realistas).

  • O Exercício da Música Calma (Fluidez e Delicadeza): Ao ouvir uma música instrumental lenta, o desenhista deve fechar os olhos ou manter o olhar solto no papel. O lápis deve deslizar acompanhando as notas longas, parando nos momentos de silêncio e criando linhas curvas, contínuas e suaves. Isso treina o controle leve da mão e a paciência do traço.
  • O Exercício da Música Ruidosa/Agitada (Dinamismo e Expressão): Ao mudar para um ritmo rápido ou pesado (como rock, jazz frenético ou música eletrônica), o traço muda completamente. O gesto passa a registrar batidas fortes por meio de hachuras rápidas, pontos, linhas sobrepostas, angulares e rabiscos vigorosos.
  • Objetivo: Esse contraste ensina que a linha não é apenas um contorno rígido; ela tem velocidade, peso e carrega a intenção e a energia do movimento do próprio corpo.

2. A Escala de Grafites (H a B) e o Impacto no Sombreamento

Para criar volume e tridimensionalidade, é fundamental entender como os diferentes lápis se comportam no papel. A escala mostrada nos livros divide-se entre rigidez e maciez:

**Dica de aplicação:** Em um sombreamento realista, você começa mapeando as áreas com um lápis leve (como 2H ou HB). À medida que escurece os pontos de sombra mais profundos, você avança gradativamente na escala (ex: 2B \(\rightarrow \) 4B \(\rightarrow \) 6B), criando camadas que dão a ilusão de volume.

3. Aplicação do Conceito de Espaço Negativo no Desenho Técnico e de Projetos

No desenho técnico ou de arquitetura, o espaço negativo (o vazio ao redor dos objetos) é tão importante quanto o espaço positivo (as paredes, móveis ou peças físicas).

  • Conforto Visual e Circulação: Ao projetar uma planta arquitetônica ou o layout de um produto, desenhar focando no espaço negativo ajuda a calcular os caminhos de circulação. Se o espaço negativo for muito estreito, o ambiente parecerá claustrofóbico ou disfuncional; se for muito amplo, parecerá vazio e disperso.
  • Leitura de Fachadas e Volumetria: Na composição de fachadas de edifícios, a relação entre "cheios e vazios" (janelas, recuos e vãos versus paredes sólidas) define o ritmo visual do projeto. O arquiteto desenha o vazio para criar vãos de luz e sombra que valorizam a volumetria estrutural.
  • O Exercício da Cadeira invertida: Um treino técnico clássico é desenhar uma cadeira complexa olhando apenas para os vãos que se formam entre as pernas e o encosto dela (os espaços vazios). Ao preencher apenas as silhuetas desses vãos com hachuras no papel, a forma exata da cadeira surge perfeitamente no centro sem que você tenha desenhado um único contorno direto do móvel.
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