Origem, História e Cultura Canábica no Mundo e no Brasil
Origem e usos iniciais
• A maconha tem registros antigos na Índia e no Afeganistão, usada em rituais religiosos e como medicamento.
• Na mitologia hindu, o deus Shiva consumia bhang; no budismo, Buda teria se alimentado de sementes de cannabis antes da iluminação.
• Povos antigos como gregos e romanos usavam o cânhamo para tecidos, cordas, papéis e óleo.
• Durante a Renascença, tornou-se um produto agrícola importante na Europa, mais voltado ao uso industrial do que recreativo.
📌 Chegada às Américas e ao Brasil
• Colonizadores espanhóis trouxeram a planta para o Chile; africanos escravizados introduziram-na no Brasil em rituais de candomblé.
• Portugueses também podem ter trazido sementes e hábitos de consumo da Índia.
• Em 1783, foi criada a Real Feitoria do Linho-Cânhamo para cultivo comercial no Brasil.
• O termo “maconha” é um anagrama da palavra “cânhamo”.
📌 Usos medicinais e culturais
• Desde a Antiguidade, foi usada para tratar prisão de ventre, cólicas, malária, reumatismos e dores.
• No século XIX, artistas e intelectuais europeus como Victor Hugo e Baudelaire experimentaram haxixe.
• No Brasil, farmácias vendiam cigarros de maconha para tratar bronquite, asma e insônia.
• A Rainha Carlota Joaquina tomava chá de maconha.
📌 Criminalização e preconceito
• O preconceito contra a planta no Brasil se relaciona à sua associação com culturas africanas e classes populares.
• Em 1830, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro registrou o primeiro veto ao uso da maconha.
• No século XX, com urbanização e industrialização, o consumo popular incomodou autoridades conservadoras.
• Em 1924, na Liga das Nações, o Brasil classificou a maconha como pior que o ópio.
• Em 1961, a ONU incluiu a cannabis entre as drogas mais perigosas.
📌 Movimento de legalização
• A partir dos anos 1960, com o movimento hippie, a maconha ganhou status de “combustível criativo”.
• Hoje, há debates sobre descriminalização e uso terapêutico em diversos países.
• No Brasil, desde 2019, a ANVISA autorizou medicamentos à base de cannabis, como o óleo de canabidiol.
• Algumas famílias conseguiram na justiça o direito ao cultivo doméstico para tratamento de doenças graves.
📌 Cannabis medicinal
• Casos como o de Charlotte Figi, que reduziu crises de epilepsia com óleo de cannabis, impulsionaram pesquisas globais.
• A cannabis medicinal é estudada para epilepsia, câncer, depressão, dores crônicas e qualidade de vida.
• O mercado mundial movimenta bilhões e envolve farmacêuticas, universidades e ONGs.
• Neurocientistas como Sidarta Ribeiro defendem que a cannabis medicinal pode ser tão revolucionária para o século XXI quanto os antibióticos foram para o século XX.

